Aprendendo a classificar

12º Férias com Ciência – Cada macaco no seu galho, dia 1.

“O homem evoluiu dos macacos”. Você viu algum erro na frase anterior? Ou então na imagem abaixo? Se não, a 12ª Edição do Férias com Ciência foi pensada especialmente pra você!

Imagem: http://www.atletx.com.br/saude/biomecanica/evolucao-humana-o-homem-e-um-bicho-corredor

No ensino básico, e mesmo no ensino superior, identificamos inúmeros equívocos ao falarmos em evolução, tanto pela má compreensão do termo quanto pela falta de informação sobre. Por isso, decidimos trabalhar alguns conceitos de forma simples e descontraída para facilitar o entendimento desse assunto, qual concordamos que não é fácil.

No primeiro dia o tema foi a Classificação Biológica, com o foco voltado à sua importância para a comunicação científica e para os estudos em evolução. A primeira dinâmica proposta tinha como objetivo elucidar o que é a classificação biológica, como e com qual finalidade ela é aplicada. Para isso, os alunos se dividiram em grupos onde encontraram diversos objetos distintos. O desafio era classificar esses objetos da forma que quisessem, e, como era de se esperar, as classificações finais foram as mais diversas possíveis. Alguns grupos classificaram os objetos por cor, outros por forma, outros ainda pelo material do qual eles eram feitos, mas o mais interessante é que objetos que eram comuns em alguns grupos foram classificados de maneira diferente. E então? Qual classificação seguir? Qual a mais correta?

Transpondo a reflexão da dinâmica para o mundo biológico, existe sim a possibilidade de mais de um cientista categorizar um mesmo organismo ou grupo de formas diferentes, e inclusive é uma situação muito frequente, onde dois organismos inicialmente tratados como espécies diferentes, quando analisados juntos, são identificados como a mesma espécie, por exemplo. Isso se deve a diversos fatores, entre eles a dificuldade em identificar o ponto onde os acúmulos de características entre eles os aproximam tanto para colocá-los na mesma espécie e até onde podemos dizer que as diferenças não são tão cruciais a ponto de separá-los em outro grupo. Desta forma algumas classificações podem divergir e variar conforme novos estudos surgem, porém devemos lembrar que quando classificamos organismos, objetos, ou o que quer que seja, estamos nomeando e tentando agrupar caracteres de forma que consigamos nos comunicar e nos expressar de maneira clara. Somos seres humanos, nomeando coisas sob uma perspectiva humana, para que outros seres humanos possam conversar sobre elas. Não podemos esquecer que a ciência não é estática e definitiva, ela se reinventa, se corrige e, por tentativa e erro, chega em pontos de concordância entre os pesquisadores.

Para objetos é ligeiramente mais fácil distinguir onde um grupo que compartilha certas características termina e onde outro começa, sabendo que eles podem estar dentro de dois grupos ao mesmo tempo, e que isso também ocorre na biologia. O cachorro doméstico está tanto no grupo “mamíferos” quanto no grupo “animais”, o que indica a existência de diversos níveis de classificação, com grupos mais próximos, pois compartilham uma grande parte de características, ou grupos mais distantes, que têm menos características em comum. E é nesta relação entre eles, mais próxima ou mais distante, que conseguimos identificar as relações de parentesco, evidenciadas na Teoria da Evolução.

A Teoria da Evolução, tratada com mais detalhes no artigo do segundo dia do Férias com Ciência, evidencia que todos os organismos vivos possuem ao menos um ancestral em comum, portanto nós, seres humanos, temos algumas semelhanças com as bactérias, pois estamos em um mesmo grupo que elas (o dos seres vivos), mas temos diversas outras diferenças justamente por termos seguido caminhos evolutivos distintos, o que nos coloca em outros grupos distintos, sempre lembrando que em algum momento nós fizemos e fazemos parte de uma mesma categoria.

É essa ancestralidade que torna a Evolução tão importante para o entendimento da vida, bem como a faz ser o “eixo norteador da biologia”, afinal todos compartilhamos características, e são elas os objetos de estudos de todas as áreas da biologia, seja de maneira comparada ou simplesmente entendendo os processos independentemente. A compreensão dessas relações pode parecer abstrata, mas é também muito prática, podendo ser base para estudos clínicos, como o uso de animais próximos aos humanos nos testes de remédios e afins, ou o estudo da botânica para fins agrícolas, toxicológicos, estudos de patologias e etc.

Imagem da árvore: https://bigpictureeducation.com/tree-life

Assim, neste primeiro dia  de atividades, os alunos viram de maneira prática, descontraída e sutil que aquele pensamento estático de que os organismos são divididos em “setores” independentes sem relação entre si é na verdade uma visão incompleta de mundo. Da mesma maneira que ao falarmos de qualquer forma de vida devemos pensar em uma árvore, igual a da imagem ao lado, onde o encontro de dois galhos representa um ancestral comum, tendo em mente que na verdade todos nós somos uma grande família, separados apenas pelo acúmulo de diferenças ao longo do tempo.

 

 

 

Por: Bárbara Benati

Revisão: Caio M.C.A. de Oliveira e Marisa Barbieri

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