Como tornar as aulas de química mais atraentes?

GIOVANA FARIA

O segundo semestre (2019) do Pequeno Cientista começou e tem 21 grupos em exercício, cada um com os seus respectivos orientadores.

Como sabemos, os orientadores (alunos de pós-graduação) ficam responsáveis por toda a parte de criação e planejamento das atividades que serão desenvolvidas no decorrer dos dez encontros e também pelos recortes das linhas de pesquisa que serão explorados nesta iniciação científica. Ou seja, é um grande desafio tanto para os jovens cientistas iniciantes, quanto para os pós-graduandos.

Para começarmos a explorar melhor os bastidores dessa elaboração de projetos, conversamos hoje com a Letícia Gomes de Pontes, orientadora estreante no Pequeno Cientista.

Aluna de pós-doutorado na Universidade de São Paulo, no Instituto de Química de São Carlos (USP-IQSC), doutora e mestre pela Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) no programa de Doenças Tropicais com ênfase em Bioquímica e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP – Bauru), Letícia está trazendo para os alunos um projeto que tem como proposta tornar as aulas de química mais atraentes.

Ela conheceu a Casa pelo Facebook e, por já ter participado de outros projetos na área da educação, decidiu se juntar a nós neste semestre. 

Na USP de São Carlos temos um projeto chamado Cientista Por um Dia e lá eu possuo algumas responsabilidades. Vindo pra cá eu senti que não deixou nada a desejar do que eu já estava acostumada a trabalhar, atendeu todas as minhas expectativas e achei muito bem organizado”, disse Letícia.

 

Como bióloga, por que você escolheu este tema para o projeto?

LETÍCIA Eu sou uma bióloga que desde o início da carreira acadêmica fui apaixonada por química, motivo este que me levou para a área de diagnósticos, ou seja, uma área que requer muito a habilidade do biólogo neste ramo. Durante o mestrado, fui para a área de Proteômica, que é o estudo de massa-carga de algumas proteínas através de um equipamento. Dali em diante para eu entender como o equipamento funcionava e entender a via das proteínas principais da minha pergunta biológica eu precisava saber química. Sendo assim, acho que por ser bióloga eu fui aprendendo mais sobre essa área com o cotidiano de trabalho e isso fez com que eu me apaixonasse por essa ciência mesmo ainda trabalhando com a área de biológicas. A área de bioquímica tornou-se então muito presente no meu dia a dia. Agora que eu estou no Instituto de Química, achei interessante representar, tudo o que eu aprendi ao longo deste período de especializações e agora no pós-doutorado, como a química pode entrar no cotidiano dos jovens.

Por que você escolheu este método de ensino?

LETÍCIA Essa pergunta é interessante, pois os alunos veem o título e eles pensam que eu quem vou tornar as aulas mais interessantes, sendo que eles próprios é quem irão fazer isso. 

O que estou vivenciando no IQSC (Instituto de Química de São Carlos) são as aulas invertidas que estão começando a ser implementadas. Nesse sistema, os alunos se tornam professores, o que é um aprendizado ativo de grande importância. Eu mesma já assisti nessa semana algumas aulas na UNESP de Araraquara no qual a professora aplicou este método. Nós recebemos os artigos antes para ler, mesmo que com dificuldades, para que na hora da aula pudéssemos fazer uma espécie de mesa redonda para debater e esclarecer os tópicos. A própria professora disse que de tudo o que ela já estudou, o método invertido é o que atrai mais atenção, que gera mais dúvidas, discussões e quebra um pouco o padrão no qual o professor é a única fonte de informação. Os alunos não são folhas em branco. Eles têm conhecimentos prévios que não devem ser desconsiderados. Pelo contrário, deve-se motivá-los a partir deste conhecimento prévio.

Primeiros encontros da Letícia com seu grupo de alunos

 

Você já alterou algo no método de ensino ou no conteúdo após esses primeiros encontros? Se sim, baseado em qual comportamento do aluno?

LETÍCIA Sim, pois percebi que no primeiro contato em que eu passei para eles algumas aulas prontas e pedi pra que eles as melhorassem, eles focaram muito na parte experimental, pois é o que chama mais atenção. Eu então deixei claro que o que eu passei era apenas uma base e que eles teriam que criar formas de explicar aqueles conteúdos do jeito que achassem mais interessante. Até mesmo criamos um grupo no Whatsapp, pois eles tiveram a ideia de, no fim de semana, realizar experimentos em casa, tirar fotos e me enviar. 

Eles se mostraram bem receptivos ao conteúdo e entenderam rapidamente os conceitos, pois eles podem não entender de primeira só com a teoria, mas junto à prática fica bem visível. Exemplo: Por que a salada deve ser temperada apenas na hora de comer? O que acontece?. São exemplos práticos que eles observam em casa, eu apenas ensino os termos corretos do que eles vivenciam diariamente.

 

O que te motivou a escolher participar do Pequeno Cientista?

LETÍCIA O que mais me motivou foi a proposta. Ao acessar o  site da Casa, e vi algumas diferenças da proposta perante a outras que vi. Por exemplo, eu achei muito legal a inclusão de palestras antes dos encontros. Muitas outras propostas que já vi eram de se passar a tarde inteira com o aluno. E ficar a tarde toda com o mesmo professor eu acho que pode ser um pouco monótono para o aluno. A maior interação com os outros professores também me empolgou bastante, pois minha ideia ao vir pra cá era de ensinar mas também de aprender. O próprio sistema do Mural como finalização é novo para mim. Geralmente somente um vídeo ou fotos são produzidos, ou ocorre apenas uma celebração final. Então vi que eu teria uma experiência de muita aprendizagem aqui também. 

 

Como foi realizada a escolha dos temas das aulas?

LETÍCIA Eu dividi e entreguei as aulas pra eles, nós lemos juntos para dar tempo a eles de se acostumarem com o assunto e, após a leitura, perguntei se alguém tinha dúvidas com relação ao que está sendo proposto ou se alguém gostaria de trocar de tema. Eu até já deixei mais temas guardados comigo para o caso de solicitações de trocas. Eles continuam com o mesmo projeto, mas um tem a oportunidade de aprender com o projeto do outro, de dar opiniões, colaborar…Todos interagem em todos os projetos, mas são responsáveis por um único tema geral. 

Quanto à divisão do encontro, na primeira meia hora faremos algumas atividades em grupo mais descontraídas e sem tantas cobranças, e depois entramos no tema da aula do dia.

 

O grupo da Letícia é composto pelos alunos:

  • João Pedro da Silva
  • João Wellington Santana Barbosa
  • Julia Constantino Schiavi
  • Nathaly Marielli Silva Oliveira
  • Octávio Antônio Paoli Siena de Souza
  • Victor Fernando Ferreira da Cruz

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