Bactérias fantásticas e onde habitam

O tema geral do grupo Bactérias fantásticas e onde habitam  foi a introdução do estudo da microbiologia e os principais objetivos, de acordo com os pesquisadores, “proporcionar conhecimentos gerais teóricos e práticos sobre a ubiquidade microbiana com aplicações específicas em cultivo bacteriano, transmissão bacteriana, assepsia e esterilização; instigar os estudantes sobre a correta higienização pessoal e ambiental mediante o conhecimento de elementos teórico-práticos; melhorar as condições de vida nos espaços para além do ambiente escolar atuando como multiplicadores e, sobretudo, para que possam utilizar elementos científicos no cotidiano.”

Durante os encontros do Pequeno Cientista os orientadores explicaram que buscaram “inserir atividades práticas e dinâmicas em grupo em todos os nossos encontros. Inicialmente partimos de um estudo para analisar os conhecimentos prévios dos alunos sobre ‘bactérias’ aplicando a técnica de dinâmica em grupo Brainstorming”.

Na atividade, alguns exemplos de palavras e expressões ditas pelas alunas foram elencados: primordiais, seres vivos, microscópica, boas, ruins, unicelulares, lactobacilos, iogurte, contaminação, vacinas, em todos os lugares, febre, cadeia alimentar, dentre outras e após as palavras e expressões ditas pelas alunas os orientadores conseguiram criar um mapa conceitual que os direcionaram para as discussões e aulas práticas dos próximos encontros.

Em outra atividade bem dinâmica, as alunas foram convidadas a desempenharem o papel de detetives do “Mundo Fantástico das Bactérias” e foram incentivadas a buscar informações sobre higiene e assepsia nos seus lares onde deveriam observar seus próprios hábitos durante o decorrer do projeto Pequeno Cientista. Essa atividade foi direcionada por um pequeno questionário previamente entregue pelos orientadores. “Criamos um grupo em uma rede social para instigarmos discussões sobre o tema do projeto e informações obtidas das atividades de detetive. Nos últimos dias fomos surpreendidos com gravações de áudio onde as alunas entrevistaram os familiares”, completaram os orientadores.

Ainda como atividade especial, as alunas realizaram também uma aula prática sobre ubiquidade bacteriana com o objetivo de coletar amostras de diferentes lugares, tais com: maçaneta da porta, vaso sanitário, chão, pé, barba, cabelo, mãos, moeda e inocular em meio de cultura sólido contido em placa de Petri. Com essa atividade as alunas foram capazes de observar a variedade morfológica de fungos e bactérias nesses diversos ambientes e perceber que os micro-organismos estão em todos os lugares, inclusive no corpo humano.

Em outro momento os pesquisadores encorajaram as alunas a refletirem sobre como acontece à transmissão de micro-organismos entre ambientes diferentes. “Buscamos fazer analogias simples citando exemplos do dia a dia de todos os estudantes, por exemplo: ao segurar a barra de apoio dos ônibus podemos nos contaminar e disseminar um determinado micro-organismo para muitas outras pessoas”.

Os orientadores ainda explicaram que esse fato foi observado a partir de um experimento em que as alunas esfregavam as mãos (com luvas) em uma rolha de cortiça contaminada com cultura de bactérias não patogênicas e, posteriormente, seguindo uma determinada ordem, as alunas apertavam as mãos da colega ao lado, e assim por diante os mesmos procedimentos foram repetidos pelas próximas alunas.

Ao término de cada aula os orientadores entregaram as alunas um texto de interesse da comunidade científica para ser discutido até o final das aulas. O texto abordou tópicos como: diferença entre germe, micróbio, bactéria, bacilo e vírus; bactérias encontradas no espaço; antibióticos x bactérias: a corrida do século. No último encontro, as alunas foram convidadas a fazer um flash mob sobre algumas curiosidades discutidas. “Foi uma experiência bastante divertida tanto para as alunas quanto para nós orientadores. Observamos que já criamos um vínculo com as alunas e que elas já se sentem à vontade na nossa presença, ou seja, a barreira professor x aluno já foi quebrada nos primeiros encontros”.

Para finalizar o encontro os orientadores também programaram realizar ainda, coloração de Gram para visualização das bactérias ao microscópio, discutir a utilização de enxaguantes bucais e sabonetes com ação bactericida para averiguarmos a ação dos mesmos em controlar o crescimento bacteriano. As alunas foram convidadas a refletirem se era interessante para os seres humanos eliminarem as bactérias por completo da boca e das mãos, por exemplo.

Segundo os orientadores, um dos objetivos foi desmistificar a ideia de que todas as bactérias são vilãs e que só causam doenças. “Gostaríamos que elas compreendessem o real papel das bactérias ao longo da evolução do Planeta até os dias atuais”.

“A resolução de situações-problema também foi um passo de suma importância até o término dos encontros, bem como para que a construção do conhecimento não ficasse restrita apenas ao que foi propondo ensinar e aprender, mas para que as alunas pudessem atuar como multiplicadores do processo ensino-aprendizagem e que assim beneficiar desde os colegas da escola, amigos e familiares”, explicaram os orientadores.

Sobre o grupo…

Os orientadores observaram que a mudança comportamental do grupo é muito aparente. “No primeiro dia as alunas se apresentaram tímidas e um pouco assustadas, no entanto ao decorrer dos encontros temos notado que elas estão menos inibidas e mais participativas”. No intuito de ajudar na interação das alunas foi criado um grupo em rede social para discussão de curiosidades sobre microbiologia. As alunas se mostraram bem mais à vontade e começaram a levantar temas para discussões e formular hipóteses com maior senso crítico.

“Uma das perguntas do nosso primeiro encontro foi sobre a carreira que elas gostariam de seguir: medicina, biomedicina, administração, educadora física…” Os orientadores explicaram que na visão das alunas o campo das ciências estava muito distante, elas não imaginavam o quanto as bactérias têm papel fundamental para manutenção da vida no planeta. Após as aulas, os orientadores constataram que as alunas não só absorveram o conteúdo como também apresentaram discussões enriquecedoras.

De acordo com os orientadores, durante os encontros as integrantes sempre tiveram abertura para realizarem questionamentos e foram instigadas o tempo todo. “No início dos encontros a dúvida era notória, o medo e a apreensão também, mas com o passar do tempo esse cenário foi sendo modificado. Hoje elas conseguem fazer questionamentos com base no que estão aprendendo, são perguntas formuladas com base em hipóteses”.

“Acreditamos que as ensinamos a ‘pensar’, e com isso também aprendemos. Talvez o mais complexo tenha sido convencê-las a saírem da zona de conforto, pois isso demanda tempo e paciência, tanto por parte do corpo docente quanto por parte das alunas”, explicaram os orientadores.

Orientadores:

Flávia Costa Mendonça Natividade

Relber Aguiar Gonçales

Ricardo Cardoso Castro

 

Alunos:

Alice Siqueira da Cruz de Paula

Osimeyre Maria dos Santos

Tainara da Rocha Souza

Daniele Garcia

Maria Eduarda Espírito Donato

Daiane Ramos da Silva

Stephany de Andrade Orteiro Souza

 

Texto por: Ricardo Cardoso Castro, Flávia Costa Mendonça Natividade e Relber Aguiar Gonçales

Revisão por: Crislaine Messias

 

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