Cascatas tróficas e conservação ambiental

      Um dos primeiros conceitos que aprendemos sobre a organização do mundo vivo é considerar que a cadeia alimentar apresenta uma divisão funcional em níveis tróficos.

Já ouviu falar dos produtores, consumidores e predadores?

      São nomes presentes no cotidiano escolar, nas aulas de Ciências/ Biologia, e também na palestra do Adote um Cientista do dia 03 de maio de 2018, com a doutoranda Roberta Montanheiro Paolino, que mostrou a importância dos predadores para os ecossistemas e o conceito de cascata trófica.
      Um dos exemplos mais conhecidos na literatura sobre o tema ocorreu no parque de Yellowstone, nos Estados Unidos. Devido à falta de predadores, a população de cervos explodiu e a vegetação do parque, fonte de alimentos para eles, não conseguia se manter. Em 1995, lobos foram reintroduzidos no parque. Como todos sabem, lobos são predadores de topo de cadeia. Eles caçaram os cervos e, por incrível que pareça, esta matança praticada pelos lobos trouxe mais vida para a região. Este é o conceito de cascata trófica, que, ao contrário da cadeia, é uma ação no sentido contrário, do topo da cadeia alimentar para a base.
      As cascatas tróficas podem ser caracterizadas, também, pelo efeito indireto que provocam na cadeia alimentar, uma vez que os lobos criaram as condições para diversos animais e plantas se desenvolverem e, mais impressionante, a introdução destes predadores possibilitou a recuperação de rios e terrenos do parque.
      Com esse exemplo fica clara a importância dos predadores para manutenção da biodiversidade. Quanto ao Brasil, qual é a condição que se encontram os mamíferos predadores de topo? Segundo a pesquisadora, a situação desses predadores é preocupante:

Mas qual é o papel do ser humano nesse contexto?

      Infelizmente a ação humana contribui para a destruição do habitat, com aumento das pastagens, plantações e áreas urbanas. Além da perda propriamente dita, ocorre a fragmentação do habitat com surgimento de populações isoladas e pequenas. Esse cenário é preocupante porque predadores precisam de uma área grande para caçar e a fragmentação provoca o efeito de borda, diz a pesquisadora. Sabem o que é isso?
     Vejam a imagem abaixo, que representa uma área natural de floresta,e observe como as áreas verdes diminuem quando se constrói uma estrada (linhas vermelhas) que cruzam a área original de 64 hectares.

      Perceba que a área de borda (cinza) aumenta ao passo que diminuem as áreas verdes (34,8 hectares). Isso sem contar com a ruptura na continuidade da área total e a perda da conectividade dos animais e plantas entre áreas. Isso certamente reduzirá a biodiversidade local.

Fonte: Richard B. Primack; Efraim Rodrigues. Biologia da Conservação. Editora Planta. 2001.

      No final, a doutoranda trouxe aspectos de sua linha de pesquisa com vídeos feitos com armadilhas fotográficas em áreas da Mata Atlântica, mostrando o “manejo da vida silvestre” e sobre “recuperação de áreas degradadas”. O assunto encantou os estudantes com as imagens e linhas de pesquisa do programa de pós-graduação em Ecologia Aplicada da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da USP(ESALQ/USP).

      Quer saber mais sobre a importância dos predadores de topo como a onça pintada nos ecossistemas brasileiros? Veja a palestra na íntegra abaixo.

Autor: Ricardo Marques Couto
Revisão: Caio M. C. A. de Oliveira