Educação Sexual na Adolescência

GIOVANA FARIA

Continuando as entrevistas com nossos orientadores deste semestre, para conheceremos um pouco mais sobre o projeto Educação Sexual na Adolescência: maternidade e paternidade, infecções sexualmente transmissíveis e contracepção, conversamos com a Juliana Bento de Lima Holanda.

A Juliana é graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Alagoas, Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Doutora pela Universidade de São Paulo (USP), Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) e Pós-doutoranda pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP).

Junto a ela neste projeto estão também Flávia Gomes-Sponholz, professora associada junto ao Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da EERP-USP, e Nayara Gonçalves Barbosa, Pós-doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP).

Juliana e seu grupo do Pequeno Cientista

Como você descobriu a Casa da Ciência?

JULIANA Estou residindo em Ribeirão Preto desde 2017, quando ingressei no doutorado, e agora estou cursando meu pós-doutorado. E para as atividades que foram sugeridas para o pós-doutorado, havia um projeto de extensão. Foi então através de uma sugestão da minha orientadora que eu conheci a Casa. Inclusive, fiquei muito feliz quando nos foi concedida a possibilidade do grupo ter a temática que viemos construindo na nossa linha de pesquisa. 

Por que escolheu este método de ensino?

JULIANA O método, no decorrer do projeto, apresenta propostas de atividades lúdicas, jogos, aulas participativas, ilustrações e aulas expositivas. Para a primeira aula, fiz uma espécie de jogo de Verdadeiro ou Falso. Os alunos receberam três placas: uma verde, uma amarela e uma vermelha. Verde para Concordo com a afirmativa, amarelo para Dúvida, e vermelho para Não concordo. Em seguida, foram apresentadas várias afirmativas relacionadas ao tema. Algumas verdadeiras e outras propositalmente falsas para compreendermos o nível de conhecimento do grupo neste momento inicial. A atividade foi extremamente bem recebida pelos adolescentes, o amarelo apareceu várias vezes e as dúvidas foram esclarecidas. Foi realmente um ótimo encontro. 

No segundo encontro em que trabalhamos sobre a anatomia básica, mudanças físicas que requerem cuidado de higiene, etc, eu ministrei uma aula mais expositiva. E como sempre, dou um espaço para eles falarem. Peço inclusive que me interrompam, pois não acho legal deixar uma dúvida para depois. Percebi que eu também estou aprendendo a lidar com adolescentes, pois sou Profa. do curso de enfermagem também da Universidade Federal de Alagoas, então meu público já é mais maduro. 

Você já alterou algo no método de ensino ou no conteúdo após esses primeiros encontros? Se sim, baseado em qual comportamento do aluno?

JULIANA Como a Profª. Marisa nos deixou bem à vontade para modificar a proposta ao longo dos encontros caso fosse necessário, já preparamos uma proposta bem diversificada como disse anteriormente. No segundo encontro, por exemplo, percebi que eles estavam muito curiosos vendo as imagens – tentamos fazer imagens mais coloridas, com menos termos técnicos para realmente atingir essa curiosidade – mas ao mesmo tempo foram muitas informações de uma vez só. Por este motivo, no terceiro encontro em que falamos sobre a maternidade e paternidade na adolescência, fiz essa aula expositiva dialogada, pois também eram muitas informações. Mas ainda senti que eles tinha mais dúvidas. Eu senti falta de mais falas. Deles se posicionarem mais como no primeiro encontro. Sendo assim, elaborei uma caixinha onde eles podem colocar dúvidas anonimamente. 

Notei que para eles a gravidez na adolescência é algo realmente assustador. Eles perguntaram muito sobre. Foi muito interessante, pois fizemos uma roda de bate-papo. Com este modelo eu já percebi um outro nível de participação. E assim vamos indo de acordo com o fluxo e a necessidade de cada aula.

Quando foram ou estão sendo respondidas as perguntas da caixinha de dúvidas?

JULIANA Estão sendo respondidas em todas as aulas. Menos da metade do grupo é mais extrovertida, tem mais iniciativa para fazer perguntas e não tem muito receio de se expor. Com eles eu fico mais tranquila. A minha preocupação é com os mais calados. Então eu fiz a caixinha ao observar esse comportamento, e vi que no primeiro momento eles não colocaram nenhuma pergunta, depois foi melhorando, pois como tivemos o jogo das placas, as dúvidas que eles tinham eles começaram a colocar na caixa. No segundo encontro, notei que eles tinham dúvidas mas não falaram. Foi então no terceiro encontro que eu mudei a estratégia: deixei a caixa e pedi que fizessem essas anotações de dúvidas, sugestões e avaliações da aula, saí um pouco da sala e pedi para que ficassem à vontade. Quando voltei a caixa estava cheia. Tirar o aspecto de “caixa de dúvidas” e diversificar sua finalidade deixou-os bem mais à vontade para fazer perguntas.

Como foi realizada a escolha dos temas das aulas?

JULIANA O que me chamou atenção realmente foram os dados. A taxa de gravidez na adolescência é altíssima. Analisando as estatísticas, vi que a taxa mundial de gravidez na adolescência é de 46 nascimentos a cada 1000 meninas; na América Latina e no Caribe é de 65,5, e o Brasil superou todas essas taxas com 68,4 segundo o relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esses números me chocaram bastante e me motivaram a escolher este recorde de linha de pesquisa para o Pequeno Cientista. 

Eu percebo que eles são bombardeados de informações da mídia, da internet, de músicas que incitam a prática sexual de uma forma despreocupada, e as informações essenciais para a prevenção de adolescentes que ainda estão se descobrindo são quase nulas. Quanto mais cedo essas pessoas têm acesso a essas exposições visuais, mais cedo começa-se a ter estímulos. E para isso tem de se estar preparado.

O que te motivou a escolher participar do Pequeno Cientista?

Por ser de Maceió, eu realmente não conhecia o projeto. Ele chegou até mim através da minha orientadora e fiquei encantada com a ideia. Como eu já trabalhei com sexualidade no ciclo gravídico puerperal, com gestantes, puérperas e nutrizes, eu queria encontrar um público diferente para me desafiar. Acredito que o pesquisador tem que desejar ser desafiado o tempo todo para que possa evoluir e produzir conhecimento que ajude a comunidade. Trabalhar com os adolescentes era então um desejo até para que minhas próximas pesquisas tivessem um olhar sobre um público diferenciado.

Essa oportunidade de me sentir como uma pesquisadora mais flexível, de perceber que nós quem temos que nos modificar mediante os públicos com os quais trabalhamos não tem preço. Eu não fui até o Pequeno, ele foi um presente que eu recebi. E ainda bem! Pois eu não gostaria de voltar para o meu estado sem levar todo a experiência que eu estou tendo aqui.

O grupo da Juliana é composto pelos alunos:

  • Ana Clara da Silva Nogueira 
  • Ana Luisa dos Reis Rosa 
  • Kauã Brayan do Amaral
  • Larissa Calasans dos Santos
  • Letícia Aparecida Bento Dias da Cruz
  • Livia Casini Costa

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