Exército do Bem – Parte 2

O sistema imunológico, nosso Exército do Bem, está sempre pronto para agir a fim de nos proteger contra os micro-organismos e outros agentes estranhos. Dependendo dos mecanismos de defesa, a resposta imunológica poder ser do tipo inata (inespecífica) ou adquirida (específica).

Onde esse exército é formado?

Além das células de defesa e moléculas, o sistema imunológico é constituído por órgãos linfoides, que são os locais de geração e desenvolvimento dos “soldados do bem” (células de defesa). Além disso, a imunidade adquirida iniciada pelo reconhecimento do antígeno pelos linfócitos T ocorre nos órgãos linfoides. Há dois tipos de órgãos linfoides: os primários ou centrais (geradores) e os secundários ou periféricos. Os órgãos linfoides centrais são: a medula óssea, na qual a maioria dos leucócitos é formada, sendo inclusive o local de maturação dos linfócitos B; e o timo, onde os linfócitos T se desenvolvem. Já os órgãos linfoides periféricos incluem os linfonodos e o baço, locais de ativação da resposta imunológica adquirida.

Imunidade Adquirida – o exército mais equipado

Ao contrário da imunidade inata, a imunidade adquirida ou adaptativa consiste em reações mais tardias e demoradas (quando se trata de primeira exposição ao antígeno), e bem especializadas. Essa resposta é altamente específica porque tem a capacidade de distinguir diferentes moléculas provenientes de agentes infecciosos e, principalmente, por diferenciar entre o que é estranho e próprio ao organismo.

Foi com base na memória imunológica que as vacinas foram desenvolvidas. A vacina nada mais é que a administração de um patógeno ou parte dele sem a capacidade de causar a doença no organismo. Dessa forma, você responde a esse estímulo através da produção de anticorpos e ativação de linfócitos específicos (imunidade adquirida) como se fosse uma infecção, porém sem adoecer. E toda vez que você entrar em contato com aquele patógeno específico, o sistema imunológico “lembra que já viu aquele agente estranho antes”, e desenvolve, assim, uma resposta específica e mais rápida contra ele, conferindo proteção.

 

Quais os componentes desse exército?

A imunidade adquirida é constituída tanto por células quanto por moléculas, que têm como função reconhecer o patógeno e ativar sua eliminação. O componente celular engloba os linfócitos, que são leucócitos (agranulócitos) presentes na circulação e nos tecidos e que expressam em sua superfície receptores com alta especificidade para diversos antígenos.

Existem diferentes classes de linfócitos:

 

Estratégias de combate

As respostas imunológicas adquiridas podem ser do tipo humoral ou celular. A imunidade humoral é mediada pelos anticorpos produzidos pelos linfócitos B e atua na defesa contra micro-organismos extracelulares.

Já a imunidade celular é mediada por linfócitos T. Muitos patógenos intracelulares, como os vírus e algumas bactérias, têm a capacidade de sobreviver e proliferar no interior dos fagócitos e outros tipos celulares. Assim, tais micro-organismos não são alvos dos anticorpos, necessitando do auxílio dos linfócitos T CD4+ – que produzem citocinas especializadas em estimular a proliferação e diferenciação dos linfócitos T, além de ativar outras células de defesa – e dos linfócitos T CD8+ – cujos produtos denominados perforinas e granzimas induzem a morte da célula infectada.

Os linfócitos T CD4+ coordenam toda a resposta imunológica adquirida, os linfócitos T CD8+, como o próprio nome diz, causam a morte das células infectadas ou tumorais, e os linfócitos B produzem verdadeiras armas contra os patógenos, os anticorpos altamente específicos.

 

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Referências:
ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia Celular e Molecular. 6a ed. Editora Elsevier. Rio de Janeiro, 2008.
Autora: Daiane Fernanda dos Santos.
Edição e revisão: Profa. Dra. Marisa Ramos Barbieri, Fernando Rossi Trigo e Vinicius Anelli.
Imagens: Sandra Navarro, Gisele Oliveira e Fernando Rossi Trigo. Modelos didáticos produzidos por alunos do grupo “Exército do Bem” do programa Pequeno Cientista.
Edição e diagramação: Gisele Oliveira.
ISSN 2446-7227