Jovens da Casa aprendem contando o que sabem

Na Casa da Ciência, palestras e orientações de pesquisadores – pós-graduandos, geralmente –, associadas à rotina de perguntar e registrar, têm possibilitado apresentações de trabalhos no evento chamado Mural, que acontece a cada final de semestre. Os jovens, alunos a partir de 12 anos de idade, que frequentam o Adote e o Pequeno, após 3 a 4 encontros semanas já incorporaram as atividades de registrar em seus cadernos e a de perguntar. A cada ano, o tempo para adquirir estes hábitos foi encurtando, com certeza pelo “boca a boca” entre os grupos que se sucedem.
Afinal, como estamos no 12º ano do programa Adote um Cientista, é bem provável a criação de certa tradição, que bem de leve chamaríamos de cultura científica nas escolas. Um forte indício é o hábito – adquirido, dizem os alunos – de contar para as pessoas o que aprendem aqui na Caca da Ciência. Um aspecto que chama a atenção da equipe é a influência dos alunos com mais tempo de Casa sobre os iniciantes. As perguntas e comentários que fazem durante as palestras e também nos grupos do Pequeno estimulam a participação dos novos. Com a participação de alunos de mais tempo de Casa, é notável perceber o desencadear de manifestações com informações “mais difíceis” que vão avançando em conceitos complexos e suas relações.
Nos depoimentos de ex-alunos, as afirmações recorrentes são de que participar dos programas da Casa antecipa comportamentos exigidos dos que frequentam universidades; dizem ficar familiarizado com temas atuais e complexos, os quais exigem consultas às referências bibliográficas e manifestações orais e escritas. Revelam cumplicidade entre equipe e alunos em participar ativamente de palestras, de grupos, fazer anotações, escrever textos, contar na escola, para amigos e familiares o que aprendem na Casa.
Aluno escreve por quê? Percebe, pelos outros, de idades diferentes, conhecimentos e interesses relacionados à capacidade e às habilidades desenvolvidas; os pós-graduandos, que citam pesquisas feitas (leituras) e escritas próprias, lhes ensinam o caminho; descobrem que se comunicar provoca conhecer e ter consciência do que aprendeu e sabe. Oficina de escrever, decidir o que escrever, apresentar e ser acompanhado o tempo todo, abre um caminho que pode transformar o aprender em um forte desejo.

 

escrito por Marisa Barbieri

revisado por Vinicius Anelli

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