“Moscas de padaria”

– Qual é a importância de um aluno participar dos programas da Casa da Ciência?

– Eles mudam…

 

Seria apenas mágica ou tem algo relacionado com as palestras do Adote que contam com a participação de Docentes do Campus da USP de Ribeirão Preto? Ou seriam os pós-graduandos desta instituição que buscam além de um complemento para a sua formação a vontade de compartilhar e orientar os alunos nos grupos do Pequeno?

 

Alguns desses alunos foram selecionados no início de 2017 a participarem de um grupo de Iniciação Científica (IC) e estão desenvolvendo um projeto intitulado “Explorando o Sistema Nervoso”, com direito a bolsa do CNPq/USP e orientados pelo Prof. Dr. Guilherme de Araújo Lucas do Departamento de Fisiologia da FMRP/USP.

 

Em abril deste ano, a Casa quis ouvir esses alunos e saber um pouco mais sobre o IC. Mas o que não estávamos esperando eram as respostas de como a mágica é feita.

 

Ter feito o Pequeno é um começo para entender o esquema e reforça o IC é igual ao Pequeno. 

Ainda acrescenta: As palestras do Adote relacionadas a Neurociências deixaram o IC confortável.

(Olavo Caetano Inácio)

 

Maria Eduarda Jurado (Duda) insiste em dizer sobre as suas dificuldades iniciais, principalmente no 1º semestre.

Você perde muito quando chega aqui, porque você acha que é igual à Escola.

A aluna ainda explica que ao sair da “zona de conforto”, o seu senso crítico muda.

Quando você percebe que é importante, você pergunta mais, anota mais e quer saber muito mais.

 

Evidenciam a importância da pergunta e percebem que, com pesquisadores palestrantes e orientadores de grupos temáticos, a relação entre informações para construir conceitos é comum e passa a ser característica da Casa. Perguntar e anotar são ações valorizadas e rapidamente incorporadas pelos alunos.

 

As atividades em grupo dividem opiniões.

Luan Bertoloti considera importante “estudar sozinho, tendo o grupo como referência”.

Douglas Sacchi Barboza desponta pelas iniciativas e participações individuais, marca presença com comentários próprios de estudioso, considera que “grupo é muita falação”. Reconhece, entretanto, que é importante se perceber no grupo.

 

No geral, a maioria é voltada para compartilhar o conhecimento, o que significa apresentar e assim, aprender mais.

 

O grande teste é o Mural, apresentação semestral dos trabalhos desenvolvidos no Pequeno. Duda faz questão de lembrar que foi mal no seu 1º grupo do Pequeno. “Após levar a cacetada no Pré-Mural”, se organizou e foi bem. Olavo também diz que se preparou muito, fez tudo e não usou o script. Já no 2º não fez um trabalho fechado e saiu falando, mais solto.

 

Destacam que o 2º semestre é sempre melhor.

 

O Mural “encaixa” o avaliado, que tem que se organizar. Douglas evidencia que os avaliadores dos trabalhos não são conhecidos, além do pessoal da Casa que questionam e gravam, os grupos se apresentam para outras pessoas. As apresentações no Pré-mural e Mural são os momentos mais significativos.

 

Inevitável e ao mesmo tempo surpreendente é o paralelo que fazem entre o Adote e a Escola. Conseguem identificar os assuntos na disciplina, afirmando que é resumido na Escola enquanto na Casa é aprofundado.

 

Resumem:

O que a Casa dá não é matéria, que é obrigação da Escola.

 

Olavo explica que o professor não tem porque aprofundar – ele não tem este papel – tem que ensinar o programa (tudo e não um tema específico). Na volta, eles se modificam na Escola, valorizam e se interessam mais, interagem com outras disciplinas (depoimento deles, professores e pais).

 

Duda reflete alguns segundos e afirma:

A interação seria maior, se o professor perguntasse mais; quase não tem perguntas na Escola.

 

O que se percebe é que a pergunta vai sendo incorporada com o tempo; é um hábito que os alunos vão adquirindo pela apropriação da prática instituída no projeto da Casa, possível pela participação dos pesquisadores.

 

Com os alunos novos é preciso insistir para que “entrem no clima das palestras do Adote”. Os alunos mais antigos da Casa comportam-se perguntando, fazendo comentários, anotam, são diferenciados e passam a ser referência para os novos, que os seguem.

 

Estes alunos do IC, todos de Luiz Antônio, atualmente no ensino médio, participam da Casa há mais de dois anos e criaram uma independência em busca do conhecimento.

Rodeiam e “infernizam” os orientadores-pesquisadores perguntando sobre os cursos disponíveis no período de férias. Sabem o que a USP pode oferecer e o que a Escola não.

 

Importante destacar o empenho da Profa. Aline de Luiz Antônio, sempre muito organizada, documentada e bem informada. A sua afinidade com a Casa é além da nossa expectativa.

 

Texto: 

Marisa Ramos Barbieri

Roberto Galetti Sanchez

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