Na trilha das rochas

No 15° Férias com Ciências alunos conheceram diferentes tipos de rochas e sua relação com a água que consumimos. As atividades ocorreram durante os dias 29 e 30 de janeiro no MuLEC (Museu e Laboratório de Ensino de Ciências), no campus da USP em Ribeirão Preto. “As rochas são o princípio de tudo. Toda a vida, plantas e seres vivos têm como suporte as rochas. Também temos que lembrar que o tempo da rocha é muito diferente do que imaginamos. Esse tema tem a maior importância, mesmo porque é raro encontrá-lo em livros didáticos”, disse Marisa Ramos Barbieri, coordenadora da Casa da Ciência.

“Para conhecer seus ciclos, a água foi usada como estratégia para discutir as rochas cristalinas e sedimentares”, disse Ricardo Couto, biólogo da Casa da Ciência.

Água mineral

A programação contou com Celso Graminha, geólogo, que ministrou, no primeiro dia, atividade com rótulos das mais variadas águas minerais, de vários cantos do Brasil, desde o Paraná, até São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Durante a atividade, a água foi vista num contexto mais prático, em que os alunos puderam conhecer suas qualidades químicas e a relação com o clima e a geologia. Fizeram degustação de diferentes marcas de água mineral e análise das informações contidas nos rótulos. Os dados foram tabulados indicando diferentes concentrações de bicarbonato, proveniente de rochas cristalinas e sedimentares. Também foram feitos testes de PH, para ver a diferença entre as águas.

“O objetivo foi entender a água como um recurso mineral raro e sua importância na vida das pessoas. Reconhecer diferentes tipos de águas e entender a ciência envolvida nisso. O que envolve conhecer sua composição química, e a relação com a fonte de onde é extraída. Por exemplo, se existe alta concentração de nitrato em uma água mineral, pode ser por influência de dejetos provenientes de fossas sépticas”, explicou Graminha.

“O que eu mais gostei foi saber que toda água é diferente. Dependendo da fonte dela ela muda e pode ser mais alcalina”, afirmou o aluno Marcus Vinicius, de 15 anos, de Pradópolis.

Ciclo das rochas

No segundo dia, o tema foi o ciclo das rochas e como ele interfere nas propriedades das águas. A água que abastece Ribeirão Preto é proveniente do Aquífero Guarani, cuja formação remete ao período Jurássico, há milhões de anos. “Gostei da parte do Aquífero Guarani. Não sabia que existia uma camada de rochas chamada diabásio, que fica acima do arenito, e que também pode armazenar água em menor quantidade”, disse o aluno.

O biólogo Vinícius Godói explicou a origem das rochas sedimentares, focando o processo de mineralização. O objetivo foi contextualizar a sedimentação em ambientes carbonáticos e silicosos. Na parte de paleontologia, falamos dos sítios paleontológicos e fósseis, como os trilobitas e amonites, que representam a evolução da vida na Terra”, afirmou.

Os alunos puderam ver e manusear uma coleção de rochas e fósseis. “É um ambiente diferente, gostei muito. Já tínhamos visto alguma coisa na escola, mas não aprofundamos. Aprendi como os fósseis são preservados nas rochas, e a importância do trabalho dos pesquisadores e de filmes para divulgar a paleontologia”, disse Gabriele, 15 anos, da escola Bento Benedini.

O encerramento foi feito com a exposição de ambientes marinhos, para fazer a relação entre o ambiente marinho, as rochas e o mar. “O objetivo é que eles entendam que a água carrega sais das rochas, tais como silicatos e carbonatos que por sua vez influenciam na cadeia alimentar do mar”, disse Ricardo.

1Inspirado na atividade relatada no artigo “Bottled water – a teaching resource” by Hazel Clark in Teaching Earth Sciences 35.2, 2011.

 

Texto Gabriella Zauith

Revisão: Celso Graminha e Ricardo Marques Couto

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