O jogo da sobrevivência

Sabemos que os moluscos são conhecidos principalmente pelas suas conchas de diferentes formatos e tamanhos, algumas incluindo também espinhos (Figura 1a). Contudo o grande filo Mollusca engloba diversos tipos de animais de corpo mole, que ocupam ambientes de água marinha, água doce e também terrestre! Assim, uma coisa é certa: esse grupo apresenta uma versatilidade incrível de fenótipos, desde animais vagarosos e inócuos (como algumas lesmas e caramujos) até predadores vorazes e de ampla mobilidade (como lulas, polvos e as sépias).

A coleção de Malacologia (estudo dos moluscos) do MuLEC já foi amplamente utilizada em atividades para fins de ensino e divulgação das ciências, por exemplo na Semana Nacional da Semana e Tecnologia (CNCT) em outubro de 2011, na exposição “Ponto e contraponto: equilíbrios e desequilíbrios ambientais”. Agora, a coleção foi reorganizada com intuito de permitir futuras investigações com esse acervo junto aos alunos e professores do ciclo básico de Ribeirão Preto e região. Uma coisa já podemos adiantar: a vida, desde seu início, não conquistou o planeta pela força, e sim através das parcerias e relações. Com isso podemos nos perguntar: Será que os moluscos evoluíram juntos com algum outro grupo? Quais tipos de relações ecológicas esse grupo estabeleceu ao longo do tempo e como podemos conjecturar isso a partir de suas conchas? (Figura 1b).

Figura 1: A) Alguns dos exemplares do acervo da coleção de Malacologia do MuLEC demonstrando a diversidade de formas e tamanhos das conchas de moluscos bivalves e gastrópodes. B) Diferentes evidências de interações ecológicas registradas nas conchas dos moluscos. Escala aproximada.

Vale a pena citar também que o progresso do pensamento da sistemática (área que nomeia, descreve e agrupa os seres vivos) colocou em evidência o estudo da forma. Além de que, já é uma visão comum que adaptação é um produto das mudanças em uma linhagem evolutiva qualquer, causada pelas variáveis no ambiente (pressões seletivas) em que os animais desse grupo vivem. Ou seja, estudar as formas das conchas dos moluscos é estudar as relações e padrões ecológicos e evolutivos da natureza, mapeando a diversidade, e essa é a nova proposta de atividade no museo da Casa da Ciência.

Será que existe algum valor adaptativo em apresentar espinhos nas conchas? Ou as diferentes formas e tamanhos de aberturas e canais sifonais encontrados nas conchas têm significado ecológico (Figura 2)? Essas respostas podem até parecer simples, mas muito cuidado! Afirmar que uma característica é vantajosa ou estabelecer uma relação causal de forma/função torna necessária uma investigação que além de interessante, pode ser um bom método para aprender biologia. Todos são bem-vindos para essa investigação no espaço do MuLEC. Vamos lá?

Figura 2: Variações no tamanho e forma da abertura e do canal sifonal em três moluscos gastrópodes diferentes. Imagens fora de escala.

 

 

Autores: Ricardo Couto e Caio M.C.A. de Oliveira

Revisão: Marisa Barbieri.

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