O Parasita do Gafanhoto

No contexto da disciplina de Prática de ensino em Ciências, em 1995/6, dois licenciandos coordenaram um grupo de seis alunos da 6ª série de uma escola municipal localizada na periferia de Ribeirão preto que vinham semanalmente ao LEC.

 

O programa previa experiências e incluía os “interesses” levantados pelos alunos: Uma manhã, um dos alunos trouxe um gafanhoto que havia coletado nas imediações da sua casa; ao verificar que o gafanhoto já havia morrido, resolveu-se abrir o inseto para mostrar detalhes da anatomia interna; nesse momento foi saindo um verme que se aloja no intestino do inseto. Um menino mais interessado se deteve na lupa observando-o e perguntou repetidas vezes: “onde está o olho dele?” A professora da disciplina que estava por perto, chamou a atenção para que o licenciando ouvisse o aluno, já que a pergunta dizia respeito ao próprio conceito de parasita. Os alunos procuraram, no parasita, características que conheciam nos outros seres vivos.

Em uma outra manhã, um dos meninos chegou com o dedo cortado, saindo sangue e fazendo caretas. Perguntaram “esta doendo?”. O menino: “não é que eu não gosto de sangue”. É possível que esse “não gostar” tenha relação com o residir em bairro de periferia, onde são freqüentes crimes divulgados pela mídia, cenas de sangue. A professora continua: ”mas sangue é vida, transporta substancias necessárias ao nosso organismo”. Ele pergunta: ”tem células?”. Ouvindo que sim, retruca “então não se reproduzem porque a gente toma transfusão” A manifestação demonstra o conhecimento sobre célula, está sujeito a particularidades, que uma criança de 10 anos com oportunidade de ser ouvida e rejeitada pelo que tem de informação, desenvolve se potencial e aprende.

 

 

*Criança e adolescente: o extraclasse na aprendizagem dos temas Saúde e Ambiente. Barbieri, M.R.; Carvalho C.P.; Mora I.M. & Godoi, v.m.

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