Pesquisador e jornalista: lonjuras e proximidades na divulgação de ciências

Depois de um longo semestre de aprendizagem, os alunos do Adote um Cientista enfrentaram um novo desafio: apresentar os resultados obtidos em seus projetos de pesquisa. Para ajudar nessa tarefa, no dia 13 de junho, a jornalista Danielle Castro apresentou aos jovens as diferenças e as semelhanças entre textos de divulgação feitos por pesquisadores e jornalistas. No encontro, os alunos conheceram algumas ferramentas de estilo e estrutura que auxiliaram a produção de textos e na organização dos resultados para a divulgação no 17º Mural que aconteceu no dia 27 de junho.

A vida em palavras

Dessa vez, o encontro do Adote não foi nada convencional. A ciência discutida não foi a “biologia nossa de cada dia”, mas o conhecimento que precisa ser registrado para integrar a Ciência da Comunicação, pois a própria biologia exige a divulgação para avançar.
Os jovens que presenciaram o encontro tiveram o privilégio de aprender sobre a competência mais requisitada, seja em Humanidades, Exatas ou Biológicas: a escrita. “Nós escrevemos até quando não estamos escrevendo”, já que até num desenho é preciso ter roteiro e se ele não for interpretável também não será nada além de um rabisco. É a partir dessa arte que começa o fascínio de escrever.
Os alunos captaram rapidamente as diferenças e as semelhanças entre os textos jornalísticos e os científicos e tomaram nota das seis perguntas fundamentais para estruturar ambas produções, que consideram o público alvo da publicação e também o meio em que é divulgado. Quando se trata de um texto jornalístico, é imprescindível corresponder aos fatos narrados explicitando “O quê?”, “Quem?”, “Quando?”, “Onde?”, “Como?” e o “Por quê?” da ocorrência – essa fórmula estrutura o lide (ou lead, em inglês), a primeira parte de uma notícia que fornece as informações básicas sobre o texto ao leitor. Já o texto científico é estruturado pela hipótese, justificativa, objetivos, metodologia, cronograma e teoria de base utilizada.
Seja no laboratório ou na sala de aula, existe uma necessidade de estabelecer perguntas e buscar respostas às hipóteses para completar o processo de aprendizagem. Por isso, há uma relação íntima entre as seis perguntas e aquilo que é escrito, pois a preocupação em responder ao texto também faz parte da aprendizagem.
Nas palavras de Danielle, “nós vivemos de palavras”; por isso se não escrevermos, não lembraremos de fatos precisos e importantes para contar a história. E se ninguém atinasse de escrever ou registrar o mundo em imagens? Talvez não conhecêssemos a nossa história. E se não houvesse história? Talvez não tivéssemos os avanços científicos que temos hoje. É preciso difundir aquilo que foi produzido, assim, o conhecimento não se isola enquanto documento, mas é divulgado, encontrando com teses contrárias e dialogando nas cabeças alheias.

 

Na Prática…

Exemplo de Lide e de Reportagem Jornalística:

O uso da água do Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce do mundo, pode se tornar inviável nos próximos 50 anos em Ribeirão Preto se o mesmo ritmo de extração for mantido pela Prefeitura do município. A cidade hoje é 100% abastecida pela reserva.
Legenda: O quê; Quando; Onde; Como; Quem; Porquê.

Título: Uso do aquífero tem limite
Reportagem com sub publicada em 14/07/2008
Por Danielle Castro, Jornal Gazeta de Ribeirão
O uso da água do Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce do mundo, pode se tornar inviável nos próximos 50 anos em Ribeirão Preto se o mesmo ritmo de extração for mantido pela Prefeitura do município. A cidade é hoje é 100% abastecida pela reserva.
Embora não seja uma estimativa definitiva, a perspectiva já é considerada pelos estudiosos do chamado Projeto Guarani, que envolve quatro países com território sobre o reservatório subterrâneo. O cálculo final será entregue no final do ano.
O mapeamento mostrou que a velocidade do fluxo de água absorvida pela reserva é mais lenta do que se supunha, sendo incapaz de competir com a alta extração. De acordo com Didier Gastmans, pesquisador do Laboratório de Estudos de Bacias (Lebac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, o mapa hidrogeológico, síntese do projeto, derruba alguns mitos sobre a grandiosidade do Guarani.
“Chegamos a uma definição geológica do aqüífero mais condizente com o desenvolvimento sustentável”, afirmou Didier. Pelos novos padrões geológicos adotados, o Guarani se mostrou 10% menor do que se imaginava —redução sentida principalmente nas áreas de recarga.
Encomendado em 2003 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o projeto foi dividido em criação de um banco com características gerais e estudos de caso em quatro áreas (uma de cada país, sendo que Ribeirão é a representante do Brasil). As conclusões da pesquisa, que teve apoio do Banco Mundial e das Nações Unidas, serão apresentadas em novembro em um congresso em Ribeirão.
“O relatório final será um conhecimento científico para a proteção do Guarani”, disse Maurício Moreira dos Santos, facilitador do projeto Guarani em Ribeirão e funcionário da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Segundo Santos, o modelo matemático do Guarani, que está sendo finalizado, vai permitir calcular com precisão o tempo de esgotamento da reserva, mas que já é certo o rebaixamento contínuo do nível da água, em especial em Ribeirão.
“Fica cada vez mais caro extrair porque se gasta mais energia e a escavação fica mais difícil.” Ribeirão possui hoje 100 poços autorizados, o correspondente há 10% dos poços existentes nos oito estados brasileiros que estão sobre o reservatório.

Exemplo de Resumo Científico:

Photographos da Casa Imperial: A Nobreza da Fotografia no Brasil do Século XIX
Danielle Ribeiro de Castro

Resumo: O presente artigo discute a titulação de Photographo da Casa Imperial, criada pelo Imperador D. Pedro II e conferida de 1851 a 1889. O título é considerado o primeiro do mundo a reconhecer o valor artístico da fotografia e, até o momento, a literatura apontava apenas 24 estúdios como detentores da honraria. A investigação sobre o tema, entretanto, revelou a existência de pelo menos mais dois profissionais titulados, Pedro Hees e Pedro da Silveira, que foram restituídos a listagem original. O material completo foi apresentado como trabalho de conclusão do curso de Especialização em História da Arte da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), sob a orientação do Prof. Dr. Rubens Fernandes Junior, em 2010.Foram resgatadas novas informações sobre os titulados que atuaram dentro e fora do Brasil e comparadas a de outros 19 estúdios brasileiros de destaque no século XIX que, apesar do contato com a Família Imperial, não obtiveram a comenda. Com o perfil dos nomeados traçado e o mercado fotográfico do período contextualizado, foram avaliadas as possibilidades abertas no campo da fotografia por este tipo de incentivo pioneiro, cujo estimulo ajudou a consolidar o olhar fotográfico nacional e a própria fotografia como ferramenta de documentação, publicidade e arte (MEUS RESULTADOS, esperados ou não, E CONSIDERAÇÕES).
Palavras-Chave: 1. Fotografia – História; 2. Arte Oitocentista – Brasil Império; 3. Dom Pedro II –Photographos da Casa Imperial.
Legenda: Assunto da pesquisa; Processo de pesquisa; Resultados (esperados ou não) e Considerações.


Espaço dos alunos

A partir da análise das filipetas do encontro, a equipe da Casa da Ciência produziu este infográfico destacando as principais dúvidas manifestadas pelos alunos e os principais conceitos aprendidos no encontro. A finalidade deste instrumento é a avaliação dos momentos de aprendizagem do aluno e valorização da sua dúvida.

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