Resetando o sistema imunológico com célula-tronco: o fim de uma guerra?

Será que é possível resetar o sistema imunológico com células-tronco?

Para explicar melhor sobre esse assunto, o pesquisador Lucas Coelho Marliére Arruda da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP trouxe ao Adote um Cientista informações bem interessantes o tema. A palestra foi uma iniciativa do Centro de Terapia Celular e do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) localizados no campus USP de Ribeirão Preto.

Você sabia que existe uma batalha que acontece na sua vida o tempo todo e em hipótese alguma temos como correr dela? É uma batalha do nosso organismo contra os agentes infecciosos que são os vírus, as bactérias, os protozoários, os fungos, os parasitas que podem assolar o corpo humano a qualquer momento.

Para se proteger desses invasores o corpo humano tem um “batalhão” chamado sistema imunológico, composto por milhões de células de diferentes tipos e consequentemente com diferentes funções, responsáveis por defender o organismo e por manter o corpo livre de doenças. O sistema imunológico atua a todo instante em uma luta para combater todos os agentes citados, que tentam não só invadir o organismo, mas também colonizar, destruir e se multiplicar.

Mas o que acontece quando tem mais agente infeccioso do que células de defesa? De acordo com o palestrante, o sistema imunológico pode ficar meio “perturbado” às vezes… E quando isso acontece, ele, o sistema imunológico, começa a destruir o próprio corpo humano. Esse tipo de reação geram as Doenças autoimunes. Ao invés de proteger, o sistema imunológico começa confundir as células saudáveis do organismo com agentes infecciosos externos e essa confusão causa diversas consequências fisiológicas.

As células podem destruir alguns órgãos internos e deixar o corpo cheio de inflamação, que é o que acontecem com os que são acometidos pela Esclerose sistêmica. Pode também no caso da Esclerose Múltipla ter o sistema nervoso central afetado, pois ao invés de combater bactérias, as células imunológicas começam a destruir neurônios. E há também a Artrite reumatoide, que causa inflamação nas juntas.

No decorrer da palestra um aluno pergunta: “A esclerose lateral amiotrófica é uma doença autoimune”?

Palestrante: É uma doença autoimune sim, só que ela ataca outras regiões do sistema nervoso central, diferentes da esclerose múltipla.

Em seguida o pesquisador lança a pergunta: E o que causa uma doença autoimune?

Alunos: Pode ser o câncer, mutação, síndrome, alguma bactéria…

Alguns outros fatores apresentados como possíveis causas das doenças autoimunes são: fatores ambientais como infecções e estilo de vida. Fumantes tem maior propensão a ter artrite reumatoide, no caso. O abuso de álcool ou uso de algum medicamento pode deixar a pessoa mais suscetível às doenças autoimunes.

Porém, esses fatores não determinam se o indivíduo terá ou não a doença, pois o que vai aumentar as chances do desenvolvimento são as mutações e outros fatores genéticos. Sendo assim, as pessoas que desenvolvem alguma das doenças autoimunes tem a combinação dos fatores ambientais com fatores genéticos e fatores imunológicos.

Arruda explicou que o tratamento da doença autoimune é não saber ao certo suas causas. Então como tratar uma doença que não se sabe ao certo a origem?

O palestrante lançou essa para os alunos e as sugestões de tratamento e eis as respostas dos alunos:

Aluno – “O melhor tratamento seria matar as células do ‘exército imunológico’”.

Aluna – “Seria melhor criar outras células imunológicas”.

Aluno – “Li em um dos materiais entregues pela Casa da Ciência sobre um transplante de medula autólogo que matava as células com ‘defeito’ e fazia produzir do zero, célula normais”.

Arruda explicou que um dos tratamentos disponíveis para doenças autoimunes são os remédios imunossupressores, porém essa linha de tratamento apresenta muito efeito colateral e ainda corre o risco de não dar certo. E o que pode ser feito pelo paciente cujo remédio não funcionou?

É aí que entra o Transplante Autólogo de Células Hematopoéticas ou o “reset” do sistema imunológico. Mas afinal, o que é isso? E como esse tratamento pode funcionar no caso de uma doença autoimune? Quer descobrir? Para assistir o desfecho dessa batalha assista à palestra completa no vídeo abaixo.

 

Texto por: Crislaine Messias

Revisão por: Caio de Oliveira

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