Sistema Nervoso Autônomo: Também temos um piloto automático?

Sabe quando, nos filmes e desenhos animados, o piloto do carro ou avião aperta um botão e o veículo começa a se “auto dirigir”? Ele continua em movimento, porém sem a participação do piloto. Da mesma forma que o carro tem um piloto automático, será que o ser humano também tem algo similar a esse sistema? Este foi o tema do bate-papo com o Prof. Dr. Guilherme Lucas no dia 01 de setembro.

Mas antes de responder precisamos falar sobre um conjunto de estruturas denominado Sistema Nervoso (SN) e nos perguntar para que serve esse sistema. A resposta mais imediata seria que dentre todas as funções deste sistema está a disseminação de informações para o corpo e o comando do organismo. Nas palavras do Professor:

“É um conjunto de estruturas que a gente tem no nosso corpo que vai ser capaz de […] reconhecer e interpretar o que se passa no meio ambiente [..]. Uma outra função do Sistema Nervoso é reconhecer e interpretar o que se passa nos nossos órgãos internos. ”

Entretanto é extremamente importante lembrar que ele não desempenha todas essas funções sozinho, e sim em associação a várias outras estruturas. Portanto, o SN atua como uma espécie de “coordenador” de todas as áreas do corpo, controlando e supervisionando o que se passa tanto no meio externo quanto no meio interno do organismo.

Não podemos responder como o Sistema Nervoso atua sem antes saber quais são seus componentes, então, relembrando um pouco da última aula do Professor Guilherme, começamos com a unidade funcional do Sistema: o neurônio. Em maior escala, quando temos um conjunto de neurônios constituímos o tecido neural (ou circuito neural), quando unimos esses tecidos temos um órgão, que no nosso caso pode ser o cérebro, por exemplo. E assim, quando unimos diversos órgãos temos, finalmente, o nosso tão falado Sistema.

Podemos dividir o SN em dois outros sistemas: o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Periférico (SNP). A diferença primordial entre eles é que, no SNC as estruturas estão protegidas por formações ósseas (crânio e coluna vertebral), o que não se encaixa nestas condições é considerado SNP (os nervos). Mas é claro que não seria tão fácil assim, temos o dever de complicar um pouquinho e fazer uma outra divisão, porém agora não segundo critérios anatômicos (de acordo com a posição das estruturas), e sim segundo critérios funcionais (de acordo com o papel desempenhado por elas). Eis que surge o Sistema Nervoso Autônomo e o Sistema Nervoso Somático.

Lembra quando conversamos sobre o SN reconhecer e interpretar situações externas e internas ao nosso corpo? Exato, essa divisão funcional indica qual dos sistemas é responsável por controlar e supervisionar tais situações. O Somático coordena as externas ao organismo, já o Autônomo se restringe às ocorrências internas ao mesmo. E analisando a palavra que o denomina podemos afirmar que o Sistema Nervoso Autônomo é independente, no sentido de exercer controles involuntários, não influenciados por nossa vontade, como a respiração, digestão, movimentação cardíaca e etc.

Outra função do Sistema Autônomo é a resposta interna devido a estímulos externos. Essa reposta tem o objetivo de adaptar o nosso organismo a situações adversas de grande tensão, estresse, surpresa ou emoção, de forma que minimizemos riscos e/ou situações indesejadas (como fugir de um urso, por exemplo). Essas respostas podem ocorrer também quando o estresse é bom e não implica em riscos, por exemplo em um primeiro encontro, ou no início de um namoro.

E quando falamos em situações diferentes a que somos expostos temos também que ressaltar as diferentes partes atuantes de um mesmo sistema. No caso do Autônomo sabemos que aquelas respostas em situações de estresse são provocadas pelo Sistema Simpático, onde ocorrerá a adaptação do organismo para situações de risco e surpresa. Já quando estamos relaxados, fora das situações anteriores, quem comanda é o Sistema Parassimpático, adaptando o organismo para manter a homeostase também nestas condições.

Um fato interessante e muito importante para entendermos como ele funciona é que este Sistema não atua em todos os tecidos. São três os tipos de tecidos em que o Sistema Autônomo exerce sua função: o músculo cardíaco, a musculatura lisa ou as glândulas. Mas não é porque são poucos tecidos controlados que o Sistema tem suas áreas de atuação reduzidas. Todos os órgãos e estruturas influenciadas por esse Sistema são compostas por um desses três tecidos.

Começamos com a pergunta se nós também temos um piloto automático. Depois dessa conversa toda acho que você já está apto a responder. Também questionamos como o SN exerce todas essas funções. Quer saber essas e outras as respostas? Sinto muito, vou ter que deixar de surpresa para quando assistir a palestra do Professor na íntegra, aqui no final da página. Afinal são tantas informações incríveis para ouvir que eu estragaria toda a graça se respondesse agora. Divirta-se!

Texto por Bárbara Benati

Revisão de Marisa Barbieri

 

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