Sobre o projeto da Casa e a pesquisa

Desde o início, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP/USP), com os cursos de pós-graduação ganhando força e o consequente aumento da produção de conhecimento nas universidades, havia a insistência em aproximar a formação de professores a de pesquisadores.

O ensino, sob responsabilidade de professores, trabalha com agrupamentos humanos, entre eles os que aprendem a pesquisar. Professores podem tomar emprestado de pesquisadores a disciplina de avaliar e, portanto, planejar suas atividades pensando em obter resultados. Por outro lado, os pesquisadores que orientam grupos podem obter evidências do seu desempenho (avaliar aprendizagem) no desenvolvimento de trabalhos de investigação.  Junto com o objetivo de verificar os resultados de um trabalho estão o de avaliar habilidades adquiridas, ou seja, o desempenho de quem o executa. Dos programas de pós-graduação costumam ser exigidas avaliações formais dos trabalhos apresentados pelos pós-graduandos e poucas informações sobre o processo educacional que os levou à realização. As habilidades requeridas e adquiridas pelos alunos durante sua formação de pesquisador são reconhecidas na apresentação e defesa do trabalho, mas são pouco consideradas como parte importante de avaliação. Muito menos são avaliados e valorizados os desempenhos dos pós em atividades de ensino, pouco incentivadas entre nós.

A Casa da Ciência do Hemocentro, instalada com o Centro de Terapia Celular (CTC/Cepid), tendo o objetivo principal da difusão de trabalhos científicos para estudantes e professores de escolas básicas, tratou de criar condições que favorecessem parcerias com pesquisadores, em especial, pós-graduandos. Os compromissos, inicialmente direcionados aos professores, mais tarde aos alunos do ensino básico, que frequentam os programas da Casa, se fortaleceram com a incorporação de propósitos próprios da pesquisa; aos poucos e com determinação, a difusão dos resultados foi sendo precedida pelos planos, documentação, análise e avaliação.

A Casa age dentro do óbvio, esperado de todo e qualquer trabalho que é submetido à apreciação de avaliadores internos e externos à instituição; os programas foram sendo consolidados a medida que foram se estreitando os vínculos com os pós-graduandos; e um olhar atento aos depoimentos evidenciou possibilidades concretas da participação de pós-graduandos nos programas da Casa contribuir em sua formação. Como em uma via de mão dupla, estabeleceram-se objetivos relacionados à verificação da contribuição de programas na formação dos pós, além do interesse na aprendizagem dos alunos, por eles orientados.

Saber elaborar projetos e procurar testar hipóteses, diferenciando as de conteúdo e as de aprendizagem é uma tarefa que aproxima ensino e pesquisa. Redigir e apresentar resultados permite aperfeiçoar os programas e o desempenho de todos os envolvidos.

 

escrito por Marisa Barbieri

edição por Vinicius Anelli

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