SOS Férias ao Mar: A diversidade e as adaptações dos animais marinhos aos seus ambientes

       Para finalização do 14º Férias com Ciência: SOS Férias ao Mar, após dois dias de  aprendizado e novas experiências (Dia 1 e Dia 2), o biólogo marinho Daniel Cavallari conduziu atividades sobre diversidade e adaptações dos animais marinhos, no MuLEC (Museu e Laboratório de Ensino de Ciências). “A biodiversidade é muito pouco abordada em sala de aula. Existem organismos nos oceanos que a maioria das pessoas não faz ideia que existe.  Como os vivem em grandes profundidades, e, também, os que são muito comuns, mas ninguém conhece. É uma possibilidade de descobrirem novos animais quando estiverem na praia”, afirmou Daniel.

       Cerca de 80% de todo o oceano permanece desconhecido, sem nunca ter sido observado pelo homem. “Mas como a gente consegue visualizar estrelas que estão a milhares de anos-luz da Terra e não o que está nos oceanos?”, perguntou um aluno. “É bastante complexo, mas um início de resposta estaria na presença de luz, emitida pelas estrelas, mas não existente no fundo dos oceanos”, respondeu Cavallari.   

       Os alunos participaram de um jogo para abordar a biodiversidade marinha.  Foram desafiados a identificar animais marinhos por meio da sombra de sua silhueta, semelhante a animação infantil japonesa “Pokemon”.  “Qual a diferença de polvos e lulas?”, perguntou um aluno. A resposta está no modo de vida distinto desses animais e suas adaptações a eles.

As conchas dos moluscos e suas adaptações

        Em seguida, realizaram uma atividade para entender como a morfologia da concha de um molusco gastrópode (caracóis, lesmas e caramujos) pode informar sobre o modo de vida e comportamento desses animais, tudo devido às adaptações evolutivas. A atividade foi conduzida pelo biólogo Cavallari, especializado em moluscos.

     Divididos em grupos, os alunos receberam conchas de gastrópodes para levantarem hipóteses sobre o modo de vida de cada animal diante as estruturas e características observadas. “Toda concha é rígida?”, perguntou uma aluna. O especialista explicou que os caracóis utilizam cálcio do ambiente para sua construção. “Ele não produz o próprio cálcio, usa do ambiente”, complementou outro aluno. Assim, a disponibilidade de cálcio no ambiente é mais um fator que influencia a rigidez das conchas, como destacou Cavallari ao demonstrar uma concha de caracol terrestre mais fina (de ambiente com pouco cálcio) em comparação com as conchas de animais marinhos (de ambiente rico em cálcio).

Ciência e divulgação

        Cavallari também conversou com os alunos sobre a atuação de um biólogo marinho e a importância da divulgação da ciência. Seu trabalho inclui coletas, e depois há o tempo de pesquisa em laboratório, que pode durar meses. “Também trabalhamos com materiais coletados em expedições famosas, como uma que ocorreu costa brasileira, em 1985, com pesquisadores estrangeiros. A coleta foi feita com um navio oceanográfico do Museu de Paris. Depois de um acordo, fomos para França e trouxemos parte desse material para nossas pesquisas”.

      A possibilidade de conhecer o trabalho de um biólogo é uma forma de promover o contato mais próximo com a ciência: não apenas acessar o conhecimento científico, mas entender melhor como ele é produzido. “Meu objetivo foi fazer uma forma de divulgação científica. O trabalho dos pesquisadores que é feito na academia precisa ser valorizado, pois poucos sabem o que a gente faz”, disse Cavallari.

Texto: Gabriella Zauith e Caio M.C.A. de Oliveira

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