Teratoma: o tumor que quer ser gente

Neste encontro, realizado no dia 16 de maio, o mestrando em Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) Ildercílio Mota de Souza Lima, falou com os alunos sobre o teratoma – um tumor misto formado por resíduos fetais e tecidos embrionários. Durante a conversa foram destacadas questões básicas sobre as células – suas estruturas, organelas e classificações – e como elas avançam para a complexidade do tumor.

O teratoma causa muita curiosidade porque apresenta características únicas, podendo agregar cabelos e materiais sebáceos. Os alunos ficaram intrigados com isso e fizeram muitas perguntas sobre a diferenciação das células que dão origem ao tumor.

Aluno Leonardo: É verdade que a dupla hélice é representativa?
Ildercílio: Em nível molecular é assim (mostra a imagem da dupla hélice). Você não vai conseguir enxergar esta estrutura em um microscópio, mas a compreensão desta disposição é importante para compreender outras funções, como a tradução e a transcrição.

Manifestado principalmente nos ovários, nos testículos e na região sacrococcígea – este mais comum em crianças – o teratoma surpreende nas formas que se expressa. Nos ovários, normalmente, se apresenta de forma benigna, ou seja, localizada, sem metástase. Já nos testículos, podem ser encontradas manifestações benignas e malignas, estas últimas, caracterizadas por alcançar outros tecidos.

Ildercílio: O que são essas imagens? (pesquisador apresenta fotos de teratoma)
Alunos: Nossa, é de verdade?! (alunos ficam surpresos)
Ildercílio: Quem tem a capacidade de gerar células diferenciadas e formar esse tumor?
Alunos: As células-tronco.
Ildercílio: Isso mesmo, estas células proliferam de forma desordenada, levando ao câncer. Inclusive, os teratomas podem ser classificados como benignos e malignos. Neste último caso, são chamados de teratocarcinomas.

Ao contar sobre o estágio que realizou em um clínica hospitalar, Ildercílio revela o quanto “a natureza nos surpreende”, após presenciar a solicitação de teste de gravidez para um paciente homem. “Num primeiro momento não fazia sentido o que estava ouvindo, mas depois percebi que se tratava de uma forma de verificar a presença de teratoma, uma vez que pode ser observado por meio da produção de HCG”. HCG é a sigla em inglês para Gonadotrofina Coriônica Humana, hormônio feminino produzido durante a gestação.

A íntima relação entre teratoma e células-tronco embrionárias tem sido investigada por vários pesquisadores. Para exemplificar, o pesquisador falou sobre um experimento em que células tumorais foram retiradas de camundongos adultos e implantadas em fêmeas grávidas. Após 200 gerações celulares (mitoses), as células mantiveram os padrões genéticos que carregavam e não se tornaram um câncer, permanecendo como células somáticas e germinativas. Isto demonstra o quanto o ambiente embrionário controla a expressão genética da célula. Entretanto, o uso clínico destas células obtidas do teratoma é ainda uma possibilidade distante, principalmente pelo comprometimento da ploidia* destas células, muitas vezes variável.

*Ploidia: conjunto de cromossomos específico de determinada espécie.
A espécie humana, por exemplo, é caracterizada por apresentar 22 pares de cromossomos homólogos e um par de cromossomos sexuais (X e/ou Y).


Espaço dos alunos

A partir da análise das filipetas do encontro, a equipe da Casa da Ciência produziu este infográfico destacando as principais dúvidas manifestadas pelos alunos e os principais conceitos aprendidos no encontro. A finalidade deste instrumento é a avaliação dos momentos de aprendizagem do aluno e valorização da sua dúvida.

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