Uma breve história da dopamina e suas implicações para a doença de Parkinson

 

Os tremores costumam começar em uma das mãos e depois a pessoa apresenta movimentos lentos em atividades simples, como abotoar uma camisa e amarrar os sapatos. São esses os sintomas iniciais da doença de Parkinson, abordado na palestra pelo professor Dr. Fernando Eduardo Padovan Neto, Jovem Pesquisador no Departamento de Psicologia (P.P.G. Psicobiologia) da FFCLRP-USP, que chamou a atenção dos estudantes que lotaram o anfiteatro vermelho. Citando a neurocientista Suzana Herculano, conhecida no meio acadêmico e engajada na divulgação científica, responsável pelo site “O cérebro nosso de cada dia”, o professor Fernando prendeu a atenção dos estudantes trazendo informações importantes sobre o cérebro e sua relação com a doença de Parkinson. Trouxe também problematizações que provocou questionamentos e interesse dos estudantes.

O mal de Parkinson é uma das doenças neurodegenerativas mais comuns nos dias atuais (segunda mais comum depois da doença de Alzheimer). De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), aproximadamente 1% da população mundial acima de 65 anos é afetada por ela. Tem abrangência universal e atinge todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas sofram desta doença (Jornal Estadão – 2016).

Para contextualizar, o pesquisador trouxe algumas informações, tais como:

O cérebro representa de 2% a 3% da massa corporal de indivíduo e consome 25% da energia, além de considerar o neurônio como uma célula especializada em processar informações, algumas sensitivas, outras motoras!

Imaginem então um neurônio enviando informação para outro. Mas cuidado, porque essa informação tem um sentido e direção que precisa ser respeitado. Em outras palavras, segundo o pesquisador Fernando, é necessário identificar o neurônio pré-sináptico e o neurônio pós-sináptico (figura abaixo).

Fonte: https://scientificusblogpt.wordpress.com/2017/05/17/plasticidade-do-cerebro-descrita-em-linguagem-matematica/

A informação é transmitida para do neurônio pré-sináptico ao pós-sináptico por neurotransmissores. Vocês já ouviram falar de algum neurotransmissor?

Esse foi um dos objetivos do pesquisador, apresentar para os estudantes a importância dopamina e sua relação com o controle motor. Sabe-se que esse neurotransmissor está relacionado com a memória e atenção, mas controle motor, ninguém sabia!

Como isso ocorre? Sabemos que a dopamina está amplamente distribuída no cérebro, mas há uma região no sistema nervoso central, conhecida como núcleos da base, que desempenha um papel importante no controle motor. Os núcleos da base são compostos por estruturas responsáveis por gerar padrões motores. Uma dessas estruturas, a substância negra compacta, é composta principalmente por uma rede de neurônios dopaminérgicos (que produzem dopamina). Esses neurônios emitem terminações nervosas (nervos) que são responsáveis pela inervação de outras estruturas dos núcleos da base e geração de movimentos. Assim, a dopamina é importante para o controle motor, hipótese explicitada pelo pesquisador e considerada um caminho para compreender melhor a doença de Parkinson.

Segundo o pesquisador, a falta da dopamina devido a degeneração (morte) dos neurônios da substância negra compacta (localizada nos núcleos da base), impossibilita ou dificulta o controle motor, já que a dopamina é necessária para a estimulação de outros neurônios importante para elaborar a resposta motora.

Outra problematização marcou também o encontro. A doença de Parkinson tem cura? Embora ocorra a destruição dos neurônios da substância negra compacta, (localizada nos núcleos da base), dificultando a estimulação motora, há tratamentos que melhoram a qualidade de vida do paciente, diminuindo os tremores e melhorando a postura. Nesses tratamentos, utiliza-se substâncias que imitam a ação da dopamina, ou seja, “substituem” esse neurotransmissor. O composto mais conhecido é o precursor da dopamina L-DOPA (ou Levodopa).

Também sabemos que a dopamina pode ser substituída por um agonista. Existem também os antagonistas, que bloqueiam a ação. Será que existe algum antagonista para a dopamina? Vamos perguntar para quem entende, o pesquisador Fernando, e a resposta publicaremos no Facebook. Até breve!

Texto: Ricardo Marques Couto

Revisão: Fernando Eduardo Padovan Neto

Imagem: https://austinawakenings.com/stress-evolution-and-the-brain/

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