Vegetando nas Férias – Dia 3

O programa Férias com Ciência completou sua 10ª edição nos dias 19, 20 e 21 de julho. Em 2016, nomeado o Ano Internacional das Leguminosas pela ONU, a Casa da Ciência propôs que o tema central do Férias fosse a botânica – assunto tão importante, porém tão pouco discutido – seja no dia a dia ou mesmo nos meios regulares de ensino.

Foram três dias de atividades práticas, elaboradas e dinâmicas, com cerca de 40 alunos, proporcionadas pelo docente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Milton Groppo, Jr.


No terceiro e último dia, também ministrado no Laboratório de Microscopia, o conteúdo foi dificultado um pouco mais e os alunos tiveram a oportunidade de utilizar o microscópio para analisar as células vegetais. Porém, antes de iniciarem as observações o professor explicou  como deveriam utilizar o microscópio, evidenciando os principais controles, ajustes de foco e luz, afinal grande parte dos alunos nunca havia tido contato com o aparelho. IMG_4004

Para tal estudo foi disponibilizado os materiais biológicos a serem observados (Tradescantia pallida purpúrea e Elódea sp.), lâminas de corte, lâminas e lamínulas de vidro para observar os cortes ao microscópio. Os alunos fizeram todo o processo de montagem de lâminas sozinhos, instruídos pelo professor, e puderam ter um primeiro contato, com esta forma de estudo, de uma maneira nada rígida, mas sim descontraída e divertida. Para que entendessem o que deveriam procurar nas lâminas o professor novamente projetou imagens exemplificando a forma das estruturas estudadas.  

Seguindo o roteiro prático o primeiro material proposto foi a Elódea sp., os alunos deveriam colocar uma folha com água em suas lâminas de vidro, cobri-las com a lamínula e identificar os cloroplastos, tentando reconhecer o processo de ciclose, que consiste na movimentação das organelas para algum fim. Ao desenvolver os conceitos sobre a função destas organelas (responsáveis pela fotossíntese) os alunos puderam responder o porquê de tal movimentação dentro da célula (para maior obtenção de luz). 

A próxima análise proposta pelo roteiro preparado pelo docente seria a dos estômatos. Novamente observaram por imagens alguns diferentes tipos de estômatos existentes e partiram para a montagem das lâminas. Retiraram pequenos cortes de ambos os lados da folha da Tradescantia pallida purpúrea e colocaram com água seguido da lamínula. Ao ajustarem o foco conseguiram perceber, à medida que trocavam as lentes para melhorar o aumento da análise, a similaridade das estruturas em seus cortes com as imagens apresentadas.  

Junto com sua morfologia compreenderam a função dos estômatos, responsáveis pelas trocas gasosas e também pela perda de água, visto que sob eles não há cutícula (camada impermeável que recobre a epiderme vegetal), e assim compararam os dois cortes (das faces superior e inferior da Tradescantia) observando que na face superior não havia estômatos, apenas na face inferior. Ao restringir a ocorrência de tais estruturas apenas na face que recebe menos calor solar o indivíduo evita a perda excessiva de água, que lhe é desfavorável em áreas não muito úmidas. IMG_3984

Ao mostrar algumas imagens de cortes paradérmicos corados, para apresentar aos alunos como é possível identificar certas estruturas não pigmentadas (em contraposição aos cloroplastos, que são naturalmente corados pela clorofila), conseguiu introduzir os conceitos de diferenciação parenquimática (entre parênquimas lacunoso e paliçádico – células de preenchimento vegetal) e suas funções no tecido vegetal, apresentou os feixes vasculares (compostos pelo xilema e floema) e mostrou-lhes também a epiderme e a cutícula já vistas antes, porém agora coradas. Mostrou ainda imagens de meristemas (células de diferenciação celular) na formação das folhas, e relacionou-os às células tronco, já que dão origem a outros tipos de tecidos.  

Para finalizar as atividades, inéditas no Férias com Ciência, o professor trouxe algumas lâminas, com cortes transversais corados de caules vegetais, que apresentavam quase todos os elementos já citados ao longo do dia, para que os próprios alunos pudessem olhar aos seus microscópios e identificá-las. 

Nestes três dias os alunos, que em grande parte não se conheciam, tiveram a oportunidade de interagir e aprender na prática sobre conteúdos até então pouco explorados, e, talvez por isso, tenham enxergado a botânica com outros olhos. Puderam compreender que ela realmente está mais presente em nosso cotidiano do que podemos imaginar, e que o mundo vegetal, assim como tudo o que o cerca, é resultado de bilhões de anos de evolução. Fizeram inúmeras perguntas, mas também elaboraram muitas respostas, resolveram desafios e tiveram contato com diversos materiais, procedimentos e técnicas que poderiam ser mais exploradas nos meios de ensino, afinal esse contato inédito com o “fazer ciência” foi o que os motivou a buscar respostas. 

Texto de Bárbara Benati

Revisão de Marisa Barbieri e Vinicius Anelli