Vegetando nas Férias – Dia 2

O programa Férias com Ciência completou sua 10ª edição nos dias 19, 20 e 21 de julho. Em 2016, nomeado o Ano Internacional das Leguminosas pela ONU, a Casa da Ciência propôs que o tema central do Férias fosse a botânica – assunto tão importante, porém tão pouco discutido – seja no dia a dia ou mesmo nos meios regulares de ensino.

Foram três dias de atividades práticas, elaboradas e dinâmicas, com cerca de 40 alunos, proporcionadas pelo docente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Milton Groppo, Jr.


No segundo dia (20) os alunos trouxeram algumas flores, IMG_3901 instruídos pelo professor no dia anterior, de locais comuns como suas casas, escolas, bairros e afins e foram observá-las no Laboratório de Microscopia do Departamento de Biologia, disponibilizado pelo chefe do Departamento, Prof. Dr. John Campbell McNamara.

No laboratório o professor apresentou-lhes o microscópio estereomicroscópio, também chamado de lupa, onde puderam analisar as estruturas dos órgãos reprodutivos das flores, entendendo sua forma e função e relacionando-as com seus respectivos polinizadores. O Prof. Milton preparou alguns slides, para ilustrar a forma clássica dessas estruturas, juntamente com um roteiro prático que também trazia um esquema com os nomes das estruturas para serem facilmente destacadas.

No roteiro havia algumas questões sobre as plantas que seriam analisadas. Com alguns exemplares de Dombeya wallichii os alunos identificaram os estames da flor e os retiraram para evidenciar o pistilo, notaram os grãos de pólen e qual o caminho necessário para que houvesse a fecundação. Observaram ainda um “líquido” nas estruturas reprodutivas, e ao questionados deduziram, corretamente, que fosse o néctar da planta. Como já sabiam identificar tais órgãos puderam analisar as flores que trouxeram de casa e responder, sozinhos, ao professor quais partes correspondiam às estruturas estudadas.

Ao final do dia foi proposto um desafio: descobrir de onde vem o odor característico das flores, responsável muitas vezes por atrair os polinizadores. Para isso os alunos receberam  4 recipientes com tampas para separar cada região da flor (pétalas, sépalas, androceu e gineceu). Após tampados esperaram cerca de 10min e puderam finalmente responder que as partes responsáveis por exalar odores geralmente eram o cálice (conjunto de sépalas) e a corola (conjunto de pétalas).
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Nesta discussão de polinizadores e plantas polinizadas foi retomada a questão da importância ecológica das plantas e também dos polinizadores, que muitas vezes são exclusivos de certas espécies vegetais, o que torna ainda mais próxima a relação entre eles. Os alunos puderam compreender que algumas flores possuem formas, cores e até mesmo cheiros específicos para certos polinizadores. Exemplos disso são estruturas que exalam cheiro de carne podre para atrair moscas, pétalas que formam uma espécie de “copo” para beija-flores se alimentarem do néctar e ainda flores que abrem a noite e exalam um perfume característico para serem polinizadas por morcegos.

Todas essas estruturas, diferenciações e processos estão relacionados diretamente com sua função no ambiente, desta forma as atividades do terceiro dia foram elaboradas de forma a evidenciar, mais de perto, algumas dessas peculiaridades que permitiram  a sobrevivência das plantas.

Clique aqui para ver as atividades do Dia 3.

Texto de Bárbara Benati

Revisão de Marisa Barbieri e Vinicius Anelli